Checklist de Segurança que Todo CTO Deveria Ter
As práticas essenciais de cibersegurança organizadas em 8 domínios. Checklist acionável para proteger sua empresa contra ameaças modernas.
Segurança de TI não é responsabilidade exclusiva do time de segurança. Se você é CTO, diretor de tecnologia, ou o profissional que toma decisões sobre infraestrutura, a segurança passa por você.
O problema é que “melhorar a segurança” é vago demais para ser acionável. Por onde começar? O que é essencial versus o que é “nice to have”? Como priorizar com orçamento limitado?
Este checklist organiza as práticas essenciais em 8 domínios claros. Para cada um, listo os itens que considero obrigatórios para qualquer empresa que depende de TI — e itens avançados para quem quer ir além do básico.
Como Usar Este Checklist
Percorra cada domínio e marque honestamente o que já está implementado. No final, os domínios com mais itens pendentes são sua prioridade. O objetivo não é marcar tudo de uma vez — é ter clareza sobre onde agir primeiro.
Domínio 1: Identidade e Acesso
Identidade é o novo perímetro. Com trabalho remoto e cloud, controlar quem acessa o quê é mais importante que controlar o firewall.
Essencial
- MFA em todos os acessos críticos — Email, VPN, admin panels, ferramentas SaaS. Se implementar apenas uma coisa desta lista inteira, que seja MFA. Bloqueia mais de 99% dos ataques baseados em credenciais.
- Política de senhas forte — Mínimo 12 caracteres. Proibir senhas reutilizadas. Considerar um gerenciador de senhas corporativo (1Password, Bitwarden).
- Princípio do menor privilégio — Usuários só acessam o que precisam. Admin para todos é uma bomba-relógio.
- Revisão trimestral de acessos — Quem saiu da empresa ainda tem acesso? Quem mudou de cargo ainda tem as permissões antigas?
- Processo de offboarding documentado — Quando alguém sai, todas as credenciais são revogadas no mesmo dia.
Avançado
- SSO (Single Sign-On) para aplicações corporativas
- PAM (Privileged Access Management) para contas admin
- Conditional Access baseado em risco (localização, dispositivo, comportamento)
- Passwordless authentication para usuários finais
Domínio 2: Endpoint
Endpoints (notebooks, desktops, celulares) são o vetor de ataque mais explorado. Cada dispositivo que acessa seus sistemas é uma porta de entrada.
Essencial
- EDR/Antivírus next-gen em todos os endpoints — Antivírus baseado apenas em assinaturas não é suficiente. EDR com detecção comportamental é o mínimo.
- Patching automatizado — Atualizações de SO e aplicações dentro de 72h para críticos, 30 dias para demais.
- Criptografia de disco — BitLocker (Windows) ou FileVault (macOS) em todos os dispositivos. Um notebook perdido sem criptografia é um vazamento de dados.
- Política de dispositivos pessoais (BYOD) — Se permite BYOD, defina regras claras. Se não permite, aplique a proibição.
Avançado
- MDM (Mobile Device Management) para dispositivos móveis
- Application whitelisting em servidores
- Controle de dispositivos USB
- Navegação segura com DNS filtering (ex: Cisco Umbrella, DNSFilter)
Domínio 3: Rede
A rede conecta tudo — e por isso precisa de camadas de proteção.
Essencial
- Firewall com regras revisadas — Regras não revisadas se acumulam ao longo dos anos. Faça uma auditoria semestral.
- Segmentação de rede — Separe a rede administrativa da operacional, e ambas da rede de visitantes. Um atacante que entra pela impressora não deveria chegar ao servidor de banco de dados.
- VPN para acesso remoto — Acesso externo à rede interna sempre via VPN. De preferência com MFA integrado.
- Wi-Fi seguro — WPA3 quando possível. Rede de visitantes isolada. SSID corporativo com autenticação 802.1X.
Avançado
- ZTNA (Zero Trust Network Access) substituindo VPN tradicional
- Microsegmentação para workloads críticos
- IDS/IPS na borda da rede
- Network Detection and Response (NDR)
Domínio 4: Dados
Dados são o ativo mais valioso. Perdê-los ou vazá-los pode acabar com um negócio.
Essencial
- Backup seguindo regra 3-2-1 — 3 cópias, 2 tipos de mídia diferentes, 1 cópia offsite. E o mais importante: teste a restauração mensalmente.
- Criptografia em trânsito e em repouso — TLS para comunicação, criptografia de disco/banco para armazenamento. Dados sensíveis nunca trafegam em texto puro.
- Classificação de dados — Nem todo dado tem o mesmo nível de sensibilidade. Defina pelo menos 3 categorias: público, interno, confidencial.
- DLP básico — Regras para impedir que dados confidenciais saiam por email ou uploads para serviços não autorizados.
Avançado
- Backup imutável (proteção contra ransomware que apaga backups)
- Data Loss Prevention (DLP) com machine learning
- Tokenização para dados de pagamento
- Gestão de ciclo de vida de dados (retenção e destruição)
Domínio 5: Cloud
Se você usa qualquer serviço cloud (Microsoft 365, AWS, Azure, GCP), este domínio é obrigatório.
Essencial
- Revisão de IAM — Quem tem acesso admin no seu tenant cloud? Quantas contas com permissão Owner/Global Admin existem? Minimize.
- Logs de auditoria habilitados — Ative audit logs em todos os serviços cloud. Sem logs, um incidente é impossível de investigar.
- Configuração de segurança baseline — Use os benchmarks CIS ou as recomendações nativas (ex: Microsoft Secure Score, AWS Security Hub).
- Gestão de custos — Monitorar custos é segurança também. Picos inesperados podem indicar cryptomining ou exfiltração.
Avançado
- CSPM (Cloud Security Posture Management)
- CASB para controle de shadow IT
- Encryption keys gerenciadas pelo cliente (BYOK)
- Multi-region para disaster recovery
Domínio 6: Monitoramento
Você não pode proteger o que não pode ver. Monitoramento é a fundação da detecção de ameaças.
Essencial
- Centralização de logs — Logs de firewall, servidores, endpoints e aplicações em um lugar só. Pode ser um SIEM, ou até um stack ELK/Grafana Loki para começar.
- Alertas para eventos críticos — Login de admin fora do horário, múltiplas falhas de autenticação, mudanças em políticas de segurança.
- Retenção mínima de 90 dias — Incidentes frequentemente são descobertos semanas depois. Sem logs históricos, a investigação é impossível.
- Dashboard operacional — Visualização do estado de segurança: endpoints com antivírus desatualizado, patches pendentes, alertas abertos.
Avançado
- SIEM com correlação de eventos e detecção de anomalias
- MDR (Managed Detection and Response) 24x7
- SOAR para automação de resposta
- Threat intelligence integrada ao monitoramento
Domínio 7: Resposta a Incidentes
Não é questão de se vai acontecer, mas de quando. A diferença entre uma crise controlada e um desastre está na preparação.
Essencial
- Plano de resposta documentado — Quem faz o quê quando um incidente é detectado? Quem comunica a diretoria? Quem fala com clientes? Documente e compartilhe.
- Lista de contatos de emergência — Inclua time interno, fornecedores de segurança, escritório de advocacia (para LGPD), e seguradora (se aplicável).
- Playbooks para cenários comuns — Ransomware, vazamento de dados, phishing com sucesso, comprometimento de conta admin. Cada cenário com passo-a-passo.
- Teste anual (tabletop exercise) — Simule um cenário de incidente com o time. Descubra as falhas no plano antes que um incidente real as exponha.
Avançado
- Exercícios de red team/blue team
- Retenção de equipe forense sob contrato
- Seguro cyber com cobertura adequada
- Automação de contenção (isolamento automático de endpoint comprometido)
Domínio 8: Compliance e LGPD
Compliance não é apenas sobre evitar multas. É sobre demonstrar que sua empresa leva a proteção de dados a sério.
Essencial
- Inventário de dados pessoais — Mapeie onde estão os dados pessoais na empresa: quais sistemas, quais bases, quais fornecedores. Você não protege o que não conhece.
- Base legal para tratamento — Para cada tipo de dado pessoal, documente a base legal (consentimento, legítimo interesse, contrato, etc.).
- DPO nomeado — A LGPD exige um encarregado de proteção de dados. Pode ser interno ou terceirizado, mas precisa existir e estar acessível.
- Processo de resposta a titulares — Se um cliente pedir para ver, corrigir ou excluir seus dados, você consegue atender em 15 dias?
- Registro de atividades de tratamento — Documento obrigatório pela LGPD que descreve quais dados são tratados, por quem, para qual finalidade.
Avançado
- Privacy by Design nos novos projetos
- DPIA (Data Protection Impact Assessment) para tratamentos de alto risco
- Certificação ISO 27001 ou SOC 2
- Gestão de consentimento automatizada
Priorizando: Por Onde Começar?
Se o checklist revelou muitas lacunas, não entre em pânico. Priorize assim:
Quick Wins (impacto alto, esforço baixo)
- Ativar MFA em tudo — email, VPN, admin panels
- Verificar e testar backups — restaure um backup agora, confirme que funciona
- Revisar acessos — remova ex-funcionários, reduza permissões excessivas
- Criptografar discos — BitLocker/FileVault, ativação em lote
Investimentos de Médio Prazo (1-3 meses)
- Implantar EDR nos endpoints — substituir antivírus legado
- Segmentar a rede — separar redes, revisar regras de firewall
- Centralizar logs — implementar coleta e retenção mínima
- Documentar plano de resposta a incidentes — não precisa ser perfeito, precisa existir
Investimentos Estratégicos (3-12 meses)
- SIEM/MDR para monitoramento 24x7
- Programa de compliance LGPD completo
- Zero Trust architecture — SSO, ZTNA, microsegmentação
- Testes de segurança regulares — pen tests, red team
O Checklist é o Começo
Este checklist é um ponto de partida, não o destino final. Segurança é um processo contínuo que precisa de revisão constante.
Duas sugestões para dar continuidade:
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Use a ferramenta interativa — O Checklist de Segurança online permite marcar cada item, gerar um score de conformidade, e exportar um plano de ação priorizado.
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Avalie a maturidade geral — Se segurança é apenas um dos problemas, o Assessment de Maturidade de Infraestrutura dá uma visão completa dos 5 pilares de TI.
A melhor hora para implementar segurança é antes do incidente. A segunda melhor é agora.
Perguntas frequentes
Qual o primeiro passo para melhorar a segurança da minha empresa?
Implemente MFA (autenticação multifator) em todos os acessos críticos. É a ação com melhor custo-benefício e bloqueia mais de 99% dos ataques de credential stuffing.
Preciso de um SOC para minha PME?
Não necessariamente um SOC próprio. Serviços gerenciados de monitoramento (MDR) são mais acessíveis e entregam cobertura 24x7 sem a complexidade de operar internamente.
Como a LGPD afeta a segurança da minha TI?
A LGPD exige que dados pessoais sejam protegidos com medidas técnicas e organizacionais adequadas. Na prática, isso significa criptografia, controle de acesso, logs de auditoria e um processo documentado de resposta a incidentes envolvendo dados pessoais.