Segurança Intermediário

Checklist de Segurança que Todo CTO Deveria Ter

As práticas essenciais de cibersegurança organizadas em 8 domínios. Checklist acionável para proteger sua empresa contra ameaças modernas.

15 min de leitura

Segurança de TI não é responsabilidade exclusiva do time de segurança. Se você é CTO, diretor de tecnologia, ou o profissional que toma decisões sobre infraestrutura, a segurança passa por você.

O problema é que “melhorar a segurança” é vago demais para ser acionável. Por onde começar? O que é essencial versus o que é “nice to have”? Como priorizar com orçamento limitado?

Este checklist organiza as práticas essenciais em 8 domínios claros. Para cada um, listo os itens que considero obrigatórios para qualquer empresa que depende de TI — e itens avançados para quem quer ir além do básico.

Como Usar Este Checklist

Percorra cada domínio e marque honestamente o que já está implementado. No final, os domínios com mais itens pendentes são sua prioridade. O objetivo não é marcar tudo de uma vez — é ter clareza sobre onde agir primeiro.

Domínio 1: Identidade e Acesso

Identidade é o novo perímetro. Com trabalho remoto e cloud, controlar quem acessa o quê é mais importante que controlar o firewall.

Essencial

  • MFA em todos os acessos críticos — Email, VPN, admin panels, ferramentas SaaS. Se implementar apenas uma coisa desta lista inteira, que seja MFA. Bloqueia mais de 99% dos ataques baseados em credenciais.
  • Política de senhas forte — Mínimo 12 caracteres. Proibir senhas reutilizadas. Considerar um gerenciador de senhas corporativo (1Password, Bitwarden).
  • Princípio do menor privilégio — Usuários só acessam o que precisam. Admin para todos é uma bomba-relógio.
  • Revisão trimestral de acessos — Quem saiu da empresa ainda tem acesso? Quem mudou de cargo ainda tem as permissões antigas?
  • Processo de offboarding documentado — Quando alguém sai, todas as credenciais são revogadas no mesmo dia.

Avançado

  • SSO (Single Sign-On) para aplicações corporativas
  • PAM (Privileged Access Management) para contas admin
  • Conditional Access baseado em risco (localização, dispositivo, comportamento)
  • Passwordless authentication para usuários finais

Domínio 2: Endpoint

Endpoints (notebooks, desktops, celulares) são o vetor de ataque mais explorado. Cada dispositivo que acessa seus sistemas é uma porta de entrada.

Essencial

  • EDR/Antivírus next-gen em todos os endpoints — Antivírus baseado apenas em assinaturas não é suficiente. EDR com detecção comportamental é o mínimo.
  • Patching automatizado — Atualizações de SO e aplicações dentro de 72h para críticos, 30 dias para demais.
  • Criptografia de disco — BitLocker (Windows) ou FileVault (macOS) em todos os dispositivos. Um notebook perdido sem criptografia é um vazamento de dados.
  • Política de dispositivos pessoais (BYOD) — Se permite BYOD, defina regras claras. Se não permite, aplique a proibição.

Avançado

  • MDM (Mobile Device Management) para dispositivos móveis
  • Application whitelisting em servidores
  • Controle de dispositivos USB
  • Navegação segura com DNS filtering (ex: Cisco Umbrella, DNSFilter)

Domínio 3: Rede

A rede conecta tudo — e por isso precisa de camadas de proteção.

Essencial

  • Firewall com regras revisadas — Regras não revisadas se acumulam ao longo dos anos. Faça uma auditoria semestral.
  • Segmentação de rede — Separe a rede administrativa da operacional, e ambas da rede de visitantes. Um atacante que entra pela impressora não deveria chegar ao servidor de banco de dados.
  • VPN para acesso remoto — Acesso externo à rede interna sempre via VPN. De preferência com MFA integrado.
  • Wi-Fi seguro — WPA3 quando possível. Rede de visitantes isolada. SSID corporativo com autenticação 802.1X.

Avançado

  • ZTNA (Zero Trust Network Access) substituindo VPN tradicional
  • Microsegmentação para workloads críticos
  • IDS/IPS na borda da rede
  • Network Detection and Response (NDR)

Domínio 4: Dados

Dados são o ativo mais valioso. Perdê-los ou vazá-los pode acabar com um negócio.

Essencial

  • Backup seguindo regra 3-2-1 — 3 cópias, 2 tipos de mídia diferentes, 1 cópia offsite. E o mais importante: teste a restauração mensalmente.
  • Criptografia em trânsito e em repouso — TLS para comunicação, criptografia de disco/banco para armazenamento. Dados sensíveis nunca trafegam em texto puro.
  • Classificação de dados — Nem todo dado tem o mesmo nível de sensibilidade. Defina pelo menos 3 categorias: público, interno, confidencial.
  • DLP básico — Regras para impedir que dados confidenciais saiam por email ou uploads para serviços não autorizados.

Avançado

  • Backup imutável (proteção contra ransomware que apaga backups)
  • Data Loss Prevention (DLP) com machine learning
  • Tokenização para dados de pagamento
  • Gestão de ciclo de vida de dados (retenção e destruição)

Domínio 5: Cloud

Se você usa qualquer serviço cloud (Microsoft 365, AWS, Azure, GCP), este domínio é obrigatório.

Essencial

  • Revisão de IAM — Quem tem acesso admin no seu tenant cloud? Quantas contas com permissão Owner/Global Admin existem? Minimize.
  • Logs de auditoria habilitados — Ative audit logs em todos os serviços cloud. Sem logs, um incidente é impossível de investigar.
  • Configuração de segurança baseline — Use os benchmarks CIS ou as recomendações nativas (ex: Microsoft Secure Score, AWS Security Hub).
  • Gestão de custos — Monitorar custos é segurança também. Picos inesperados podem indicar cryptomining ou exfiltração.

Avançado

  • CSPM (Cloud Security Posture Management)
  • CASB para controle de shadow IT
  • Encryption keys gerenciadas pelo cliente (BYOK)
  • Multi-region para disaster recovery

Domínio 6: Monitoramento

Você não pode proteger o que não pode ver. Monitoramento é a fundação da detecção de ameaças.

Essencial

  • Centralização de logs — Logs de firewall, servidores, endpoints e aplicações em um lugar só. Pode ser um SIEM, ou até um stack ELK/Grafana Loki para começar.
  • Alertas para eventos críticos — Login de admin fora do horário, múltiplas falhas de autenticação, mudanças em políticas de segurança.
  • Retenção mínima de 90 dias — Incidentes frequentemente são descobertos semanas depois. Sem logs históricos, a investigação é impossível.
  • Dashboard operacional — Visualização do estado de segurança: endpoints com antivírus desatualizado, patches pendentes, alertas abertos.

Avançado

  • SIEM com correlação de eventos e detecção de anomalias
  • MDR (Managed Detection and Response) 24x7
  • SOAR para automação de resposta
  • Threat intelligence integrada ao monitoramento

Domínio 7: Resposta a Incidentes

Não é questão de se vai acontecer, mas de quando. A diferença entre uma crise controlada e um desastre está na preparação.

Essencial

  • Plano de resposta documentado — Quem faz o quê quando um incidente é detectado? Quem comunica a diretoria? Quem fala com clientes? Documente e compartilhe.
  • Lista de contatos de emergência — Inclua time interno, fornecedores de segurança, escritório de advocacia (para LGPD), e seguradora (se aplicável).
  • Playbooks para cenários comuns — Ransomware, vazamento de dados, phishing com sucesso, comprometimento de conta admin. Cada cenário com passo-a-passo.
  • Teste anual (tabletop exercise) — Simule um cenário de incidente com o time. Descubra as falhas no plano antes que um incidente real as exponha.

Avançado

  • Exercícios de red team/blue team
  • Retenção de equipe forense sob contrato
  • Seguro cyber com cobertura adequada
  • Automação de contenção (isolamento automático de endpoint comprometido)

Domínio 8: Compliance e LGPD

Compliance não é apenas sobre evitar multas. É sobre demonstrar que sua empresa leva a proteção de dados a sério.

Essencial

  • Inventário de dados pessoais — Mapeie onde estão os dados pessoais na empresa: quais sistemas, quais bases, quais fornecedores. Você não protege o que não conhece.
  • Base legal para tratamento — Para cada tipo de dado pessoal, documente a base legal (consentimento, legítimo interesse, contrato, etc.).
  • DPO nomeado — A LGPD exige um encarregado de proteção de dados. Pode ser interno ou terceirizado, mas precisa existir e estar acessível.
  • Processo de resposta a titulares — Se um cliente pedir para ver, corrigir ou excluir seus dados, você consegue atender em 15 dias?
  • Registro de atividades de tratamento — Documento obrigatório pela LGPD que descreve quais dados são tratados, por quem, para qual finalidade.

Avançado

  • Privacy by Design nos novos projetos
  • DPIA (Data Protection Impact Assessment) para tratamentos de alto risco
  • Certificação ISO 27001 ou SOC 2
  • Gestão de consentimento automatizada

Priorizando: Por Onde Começar?

Se o checklist revelou muitas lacunas, não entre em pânico. Priorize assim:

Quick Wins (impacto alto, esforço baixo)

  1. Ativar MFA em tudo — email, VPN, admin panels
  2. Verificar e testar backups — restaure um backup agora, confirme que funciona
  3. Revisar acessos — remova ex-funcionários, reduza permissões excessivas
  4. Criptografar discos — BitLocker/FileVault, ativação em lote

Investimentos de Médio Prazo (1-3 meses)

  1. Implantar EDR nos endpoints — substituir antivírus legado
  2. Segmentar a rede — separar redes, revisar regras de firewall
  3. Centralizar logs — implementar coleta e retenção mínima
  4. Documentar plano de resposta a incidentes — não precisa ser perfeito, precisa existir

Investimentos Estratégicos (3-12 meses)

  1. SIEM/MDR para monitoramento 24x7
  2. Programa de compliance LGPD completo
  3. Zero Trust architecture — SSO, ZTNA, microsegmentação
  4. Testes de segurança regulares — pen tests, red team

O Checklist é o Começo

Este checklist é um ponto de partida, não o destino final. Segurança é um processo contínuo que precisa de revisão constante.

Duas sugestões para dar continuidade:

  1. Use a ferramenta interativa — O Checklist de Segurança online permite marcar cada item, gerar um score de conformidade, e exportar um plano de ação priorizado.

  2. Avalie a maturidade geral — Se segurança é apenas um dos problemas, o Assessment de Maturidade de Infraestrutura dá uma visão completa dos 5 pilares de TI.

A melhor hora para implementar segurança é antes do incidente. A segunda melhor é agora.

Perguntas frequentes

Qual o primeiro passo para melhorar a segurança da minha empresa?

Implemente MFA (autenticação multifator) em todos os acessos críticos. É a ação com melhor custo-benefício e bloqueia mais de 99% dos ataques de credential stuffing.

Preciso de um SOC para minha PME?

Não necessariamente um SOC próprio. Serviços gerenciados de monitoramento (MDR) são mais acessíveis e entregam cobertura 24x7 sem a complexidade de operar internamente.

Como a LGPD afeta a segurança da minha TI?

A LGPD exige que dados pessoais sejam protegidos com medidas técnicas e organizacionais adequadas. Na prática, isso significa criptografia, controle de acesso, logs de auditoria e um processo documentado de resposta a incidentes envolvendo dados pessoais.

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